Anónimo na internet é um termo relativo

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cortesia: gettyimages

Quando se é bom naquilo que se faz, há vários caminhos para se chegar a um resultado. No mundo da internet, existe um constante fluxo de dados gerado por cada movimento online. Uma chamada telefónica, uma compra de um simples café usando um cartão electrónico, tudo o que necessite de uma transação electrónica deixa marcas.

Yves-Alexandre Montjoye, investigador na área da computação do MIT, refere que mesmo metadados privados (dados que não estão associados a nomes ou dados pessoais, como o número de telefone e outras coisas), não são tão anónimos como se pensava.

Um estudo em que MontJoye é co-autor, compara cartões de crédito anónimos de 1.1 milhões de pessoas e apresenta um resultado que é no mínimo preocupante. Noventa porcento das vezes, apenas comparando quatro dados externos ao cartão é o suficiente para identificar a pessoa. Por exemplo apenas sabendo que uma pessoa fez determinada compra em determinado dia, consegue-se associar a uma identidade.

No estudo o investigador dá o exemplo de William Herkewitz (nome anónimo), fez compras em determinado dia, todas elas diziam shopper#2232_8, sabendo que foi a um restaurante e sabendo o preço que pagou é fácil saber quem é cruzando dados.

Montjoye e Paul Schwartz defendem que o termo anónimo deve ser devidamente definido por lei. Nos estados unidos o projecto lei conhecido por lei da privacidade PII deve ser trabalhado numa espécie de PII 2.0 em que define o que é “identificado” e o que pode pode ser “identificável”, assim como o “não identificável”, e tratar todos os termos de forma diferente.

O investigador do MIT também defende que devem ser dados meios aos investigadores para trabalharem estes dados supostamente anónimos sem contudo ser lhes dados meios para comprometer ou sacrificar a privacidade.

Se bem que muita gente já tem a noção disto, afinal quem pensa que está totalmente anónimo, se calhar não está!