Reino Unido pode vir a banir comunicações encriptadas

comunicações encriptadas

O Recente atentado ao Jornal Satírico Charlie Hebdo, veio levantar várias questões acerca da segurança das pessoas. Se bem que é agradável saber que ninguém tem acesso às conversas e mensagens pessoais, caso sejam usados serviços com elevados níveis de encriptação, por outro lado, as forças de segurança que juraram nos proteger, também não conseguem detectar sinais de alerta que possam prevenir novos atentados.

David Cameron, Primeiro Ministro do Reino Unido, ontem de manhã num evento publico anunciou que o Reino Unido, não pode permitir a utilização de meios que possibilitem comunicações secretas pela internet. O Residente do nº 10 Downing Street inquiriu os presentes de que “Será que devemos permitir no nosso país meios de comunicação que não conseguimos ler?”.

Bem sabemos que a Defesa da Soberania Nacional e a Guerra ao Terror são assuntos demasiados importantes para serem encarados de ânimo leve, e há que ter a noção que tudo tem um custo. Neste caso em particular, há que abdicar da privacidade para limitar a comunicação e planeamento de ataques terroristas e acções criminosas.

Boris Johnson, Mayor da cidade de Londres também é de opinião de que se há alguém mal intencionado ou com comportamento suspeito, “não está interessado nestas liberdades e prefere que esta pessoa esteja devidamente sinalizada e vigiada”.

Com estas figuras de “peso” a falar publicamente na abolição de comunicações encriptadas no Reino Unido, pode ser que estejamos perante o inicio da abolição das comunicações secretas que não possam ser vigiadas pela polícia e agências de segurança britânicas. Parece estarmos a assistir a movimentos de bastidores, com o intuito de vir a legislar aplicações que usem encriptação para comunicar na internet.

Em Portugal ainda não se assistiu a um ataque terrorista à semelhança dos Estados Unidos, Inglaterra ou mais recentemente França com o caso do Charlie Hebdo, no entanto, há que ser inteligente e discutir amplamente e publicamente estas questões de modo a não sermos apanhados desprevenidos.

A Guerra Santa está aí e já chegou à casa de algumas famílias portuguesas, que viram os seus filhos recrutados para as fileiras dos Jihadistas. A ameaça é real e temos de encarar este problema como deve de ser, sob risco de quando formos discutir este assunto já ser tarde.

A privacidade e a liberdade têm um custo, será que estamos dispostos a assumir?

Fonte: The Verge