Smartphones podem ser usados para descobrir parasitas

smartphone-loa-loaOs smartphones, são mais do que simples telefones, máquinas fotográficas, consolas de jogos ou plataformas de entretenimento. O iPhone já provou anteriormente que consegue ser um excelente equipamento para a ajudar ao diagnóstico de certas doenças ou problemas de saúde.

Segundo um artigo da npr.org os smartphones poderão em breve dar uma grande ajuda no diagnóstico de uma parasitose que continua a deixar marcas em várias zonas de África.

A oncocercose , ou cegueira dos rios, é uma parasitose causada pelo Onchocerca volvulus, que se propaga através da picada de moscas pretas do género Simulium e afecta vários orgãos como a pele, olhos, e sistema linfático.

A doença é conhecida como cegueira dos rios, uma vez que esta espécie de moscas, necessita de zonas com água, como rios ou riachos para se reproduzir. Apesar de não ser fatal, é uma das maiores causas de cegueira de África.

Esta situação melhorou bastante desde o descobrimento de uma droga chamada de ivermectina que pode ser administrada como tratamento ou de forma preventiva. Como o parasita vive em simbiose com bactérias, o uso da doxiciclina concomitantemente com a ivermectina, melhora o sucesso com o tratamento.

Um grande problema para as equipes de saúde africanas, é que os doentes destas áreas podem ser infectados com um outro tipo de parasita, chamado de Loa Loa. Se tratado na fase aguda como uma oncocercose, em que é administrado ivermectina, o tratamento pode-se revelar fatal.

Até agora a abordagem pelos técnicos de saúde, tem sido a análise ao sangue, em que indivíduos treinados, através do uso de microscópios convencionais, analisam manualmente os parasitas presentes no sangue.

Como este processo tem-se revelado demasiado trabalhoso e demorado, Daniel Fletcher, Professor de Bio engenharia da Universidade da California, tem recorrido a iPhones para desenvolver uma espécie de microscópios portáteis, capazes de detectar automaticamente a Loa Loa com uma simples gota de sangue.

Para dificultar ainda mais o diagnóstico, o Loa Loa esconde-se nos pulmões e revela-se na corrente sanguínea entre as 11 horas e as 13 horas, pelo que as colheitas de sangue têm de ser efectuadas neste período de duas horas.

A partir do momento que o sangue é colhido, o smartphone faz praticamente tudo. Basta o técnico de saúde colocar o sangue no microscópio adaptado ao iPhone, para que o aparelho recorrendo à câmara de vídeo, consiga em cerca de três minutos lançar os resultados.

Teoricamente como o sangue só pode ser colhido num período de duas horas, os técnicos de saúde conseguem na melhor das hipóteses ter acesso a cerca de 40 resultados por smartphone, no entanto, apesar de parecer ser um número pequeno, é bastante maior do que o processo convencional usado actualmente.

Mais uma vez os smartphones estão-se a revelar uns verdadeiros aparelhos capazes de revolucionar os cuidados de saúde.

Fontes: NPR e Sapo Lifestyle